Crónicas Matinais

[ quinta-feira, maio 15, 2003 ]

 

Bom dia!

Diz que em Cannes as morenas estão a ganhar. Fico muito contente porque devo lá ir este fim-de-semana.
Reconheço que estas frases são um bocado fúteis. Mas apeteceram-me.
E agora, algo completamente diferente.

Não sei se se lembram que Rudyard Kipling , depois de uma estada nos Estados Unidos da América, escreveu o célebre poema " The White Man's Burden ". ( Pode lê-lo , por exemplo, aqui , caso não tenha o poema impresso, à mão.)
Numa altura em que muitos arrotam postas de pescada sobre Imperialismo, Colonialismo, etc, eu acho que se deveria recordar este poema. Primeiro porque é belíssimo, e depois porque, seguramente, podiam chatear os ingleses e deixar os americanos em paz! : ) [ este bocadinho contem uma enorme ironia; quem perceber percebeu, quem não perceber paciência...]

E por falar em Kipling , em jeito de missão, de fardo, eu também gostaria de fazer aqui uma perninha de serviço público.
Andei ontem a pesquisar os blogs , blógues, blogues, e encontrei muita coisa interessante. Mas também encontrei muito disparate.
Como a minha costela de mestre-escola está partida, não quero apontar o dedo.
Em vez disso , direi aqui umas coisitas, em jeito de ajuda para possíveis futuros testes de QI, tão na moda nos nossos dias.

A Fadiga crónica não é a versão moderna do famoso Spleen de Paris, imortalizado por Baudelaire; e muito menos o Gross Langeweille de Shopenhauer; e também não é L'ennui Atroce de Flaubert. E também quando os árabes falam de Kief, não se referem à fadiga, mas , e tal como muito bem descreveu o nosso Eça de Queirós : A uma inexpressividade da multidão; toda atacada de um "desmaio vivo", de uma "apatia idiota", lembrando um "vegetal".
Ou seja, todas estas palavrinhas significam tédio. Perigosas misturas de tédio. Der Grossen Ekel como diria Nietzsche.
Eu sou uma afadigada crónica. Mas o tédio , felizmente, não me pega.
Já quando começo a pensar nos tais "desmaios vivos" e em "vegetais"...confesso que lhes associo uma grande parte da sociedade, nacional e estrangeira.
E o tédio, confesso...entedia-me!.

Posto isto, volto à minha de vulgaris eloquentia ( é Dante) , para desejar um feliz dia a todos.

E como não quero que falte cá uma fotografia, escolho esta, que me vai dar o mote para o Grand Final...


Isto porque, apesar de ter coisas muito mais importantes em que pensar, eu , qual Scarlett O'Hara, respondo: Eu vou pensar nisso amanhã...

Ana [5/15/2003 10:50:00 da manhã]