Crónicas Matinais

[ quarta-feira, julho 09, 2003 ]

 

[Bom dia!]

Ontem, à conversa com o excelente Maradona, surgiu a figura de J.D.Salinger; a propósito do livro " The Catcher in the Rye".
Eu, que tenho a mania que sou engraçada, disse logo que, como qualquer psicopata, tenho -também- esse livro em casa.
E, mais importante que o ter em casa, li-o.
Ora bem, há, penso eu, uma série de livros que, por razões várias, fazem parte da censura universal, ou quase.
São tantos os exemplos que seria maçador colocá-los aqui todos. Mas vou falar de alguns.
O "The Catcher in the Rye", por exemplo, sempre foi apresentado -eu mesma já o escrevi uma vez- como o livro obrigatório de qualquer psicopata e/ou assassino-em-série que se preze. O que é facto é que, quer se queira quer não, é mesmo assim. Nesses homens-alguns com mentes brilhantes como se sabe- o gosto pela literatura é notório e J.D.Salinger é recorrentemente citado. Nada contra.
Eu li o livro, confesso-o, já depois da adolescência. No entanto o livro deixou-me marcas; marcas que, em o tendo lido na fase da procura da identidade, i.e., na adolescência, poderiam ter sido "fatais". Como o li com a minha mente já formatada por milhares de outras obras, pessoas e sentimentos, limitei-me a absorver algum negativismo, alguma revolta e uma pitada de crueldade. Mas depois passou-se.
Seja como for, as influências desse livro são, ainda hoje, bastante notórias. Há, como penso que sabem, vários clubes de fãs do especialíssimo Holden Caulfield .
Quando vivi nos EUA, conheci -sem exagero- uma trintena de adolescentes que veneravam, e penso que ainda o fazem, Holden Caufield. Isto porque, como acontece a milhares de outras personagens literárias, Caufield vive; muito mais do que Salinger.
Acho que nunca tive uma conversa com um desses miúdos sem que aquilo não acabasse numa cantoria pegada do mítico J.Lennon, que- como os fãs de "The Catcher in the Rye" dizem, morreu, também, devido a esse livro.


Mas há mais livros que sempre, ou a dada altura, foram censurados e proscritos e todos, no meu ponto de vista, de leitura obrigatória.
O próprio "1984" de Orwell é , ou foi, um livro "maldito".
Assim como , dando mais exemplos, "21 Techniques on Silent Killing " de Master Hei Long; "Areopagitica" de John Milton; "A Doll's House" de Henrik Ibsen ; "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury; "To Kill a Mockingbird" de Harper Lee; etc.
Aliás, a dada altura, livros enormes e maiores como as Obras de Joyce, de Cervantes, de Shakespeare , Twain, Huxley , Steinbeck, Swift,Whitman ,Bloom, Stendhal, e muitos outros que não me vêm agora à memória, também foram censurados e colocados no index.

Tudo bons livros. Todos importantes de ler.
Ou não gostasse eu de ler Nietzche, por exemplo, e ele até é o "mestre" do nazismo.

Estive para aqui a escrever isto tudo para chegar a esta conclusão: a culpa dos nossos comportamentos, bons, maus, ou assim assim, não é nem dos livros, nem dos programas de televisão, nem dos jogos de computador ; mas que isso pode ajudar , lá isso pode!

Enfim, delírios meus, que ando a reler o " The Comedians" do maravilhoso Graham Greene , a ver se me distraio dos pensamentos malignos que me assaltam o cérebro sempre que penso que, até ao fim do mês, tenho de reler e dissertar sobre a actualidade do Mein Kampf...

Ana [7/09/2003 01:34:00 da tarde]