Crónicas Matinais

[ quinta-feira, agosto 28, 2003 ]

 

Auto da Expiação

Eu ,normalmente, não espero pelo Rosh Hashanah,nem pelo Yom Kippur; pelos «Dez Dias de Penitência», para pedir desculpa aos homens. Para pedir perdão a quem ofendo, magoo ou firo de alguma maneira.Nessas alturas sagradas faço-o também; mas não espero pela data para apaziguar a minha consciência.

Como ser humano que sou, sou imperfeita. A D-us peço perdão todos os dias e, devido a isso, prefiro pedir também aos homens.
Porque a D-us, peço perdão pelas ofensas que lhe faço a Ele, sempre que desrespeito a Sua Lei; sempre que ofendo a minha crença, que me foi dada por Ele.
Como não é Ele que me pode perdoar as ofensas que faço aos homens, vou directamente à fonte.
Mas eu sei que não chega. O ideal seria não precisar de me expiar, ou seja, seria ser sempre justa, sensata e caridosa.
Mas não sou.
Sou muita vezes injusta e, até, irracionalmente má.
E sempre que o sou ( e sei que o fui e, como tal, fico de mal comigo ) , perco o sono, detesto-me e, o que é pior, sinto que já não posso voltar atrás.
Porque , sei-o também, as desculpas que se pedem não apagam o mal que foi feito; a palavra que foi mal dita; a injustiça que se cometeu.
É muito triste.
E é ainda mais triste porque, também sei isto, ninguém tem obrigação de me perdoar.
Porque eu também não perdoo a todos os que me pedem perdão a mim. Ou a quem faz coisas que , para mim, são imperdoáveis .

Apesar do meu mau-feitio, de" ferver em pouca água", de ser irascível , sinto , cá dentro, e mesmo que às vezes não o diga, uma dor grande; uma dor provocada por mim, por saber que provoquei dor a alguém. E isso dói.

Mas não peço desculpa, ou perdão, para, de forma egoista, me sentir melhor comigo. Não.
Isso seria cosmética e não serviria de nada.
Peço perdão para explicar que o que disse, fiz ou insinuei não passa de um disparate meu; que a culpa é minha e só minha e que estou entranhadamente arrependida.

E dizer que vou tentar não voltar a cometer o mesmo erro. Assumindo sempre, claro, que nem sempre é fácil.
Porque, lá está, sou humana, imperfeita....

Escrevo este texto, sirva ele para o que servir, para a blogosfera , em geral, e para o José Mário, do Blog de Esquerda, em particular.
Porque fui longe de mais.

Ana [8/28/2003 10:48:00 da manhã]