Crónicas Matinais

[ sexta-feira, agosto 22, 2003 ]

 

Bom dia!

Fosse eu uma boa pessoa, uma pessoa com bons fígados, nada ressabiada , e punha-me aqui mas é a escrever sobre lavores.
Isso mesmo me foi sugerido num simpático email que recebi de um senhor que assinou « observador de blogues».
O senhor, sem me insultar, afirma ele, diz-me que eu, como mulher jovem ( esta parte gostei muito, porque desde que me apareceu o primeiro cabelo branco e a primeira ruga, ando aqui preocupadíssima com a minha velhice, quiçá precoce. ),não me deveria «meter»(sic) em assuntos sérios e dedicar-me ,antes, a falar de assuntos femininos.

Ora, meu caro, muito obrigada pela sugestão mas eu sempre fui uma maria-rapaz.

Posto isto, e depois de dar a minha voltinha matinal pelos blogs, e de ler tudo o que me pareceu importante ler, vou contrariar o senhor «observador de blogues» ( queira desculpar, mas eu , já avisei , só faço o que me apetece, sorry), e vou continuar a dizer/escrever o que me apetece sobre o que me apetece.

De maneira que, ao ler certas opiniões de colegas da blogosfera , sobre o Terrorismo, sobre Israel, sobre a Palestina, e sobre os Estados Unidos da América , só me ocorre uma frase que tenho lido em quase todas as gares de RER cá de Paris, uma frase a publicitar um jornal, dito de referência, por cá : Pour en parler il faut d'abord s'informer..

Pronto. Assim; sem mais. Prefiro isto a dar-me, já aqui, um ataque agudo de Tourette; eu que até sou muito atreita a síndromes...

E com essa frase singela ( no sentido de solteira, como a morte da culpa), mudo de assunto.

A minha Mãe disse-me que " apanhou" a minha Avó -que eu tanto amo e admiro- a choramingar defronte do ecrã do computador, e , como se só isso já não fosse criminoso , a minha Mãe acrescentou: «a ler o teu blog»!

Alto. Disse eu para comigo: "Já fizeste merda, Ana! Pões-te para aqui armada em sincera, a dizer tudo o que te vai na alma; a relembrar que há muitos filhos da puta que negam o óbvio; a anunciar as dores dos teus irmãos ,e as tuas ( quer-se dizer, minhas) ; a mexer nas feridas...e fazes a tua Avó judia-que tanto amas e admiras e que já sofreu tanto, tanto, tanto, que só quem não tem uma avó assim pode justificar os homens maus - chorar!"

Estava já quase de joelhos, com os olhos marejados , pronta a pedir perdão pela minha -quiçá- insensatez , quando a minha Mãe me alivia, dizendo :
« Aquele fundo negro do teu blog é impossível; lê-se muito mal e bem sabes que à Avó custa imenso ler no computador».

De maneira que vou mudar o template.

Ana [8/22/2003 10:44:00 da manhã]