Crónicas Matinais

[ segunda-feira, agosto 18, 2003 ]

 

Bom dia!

Sim, sim; estou de volta.
Depois contarei coisas sobre o Iraque, mas , para já, não me apetece.

Apetece-me antes dizer coisas sobre o que li nos blogs. ( Tive saudades de ler os «meus»blogs.Tive mesmo.)

Li, no Aviz, dois textos que me dão o mote para o que me apetece dizer. São eles : Regionalismo e Portugal, então.
O F.J.V. pergunta: «Temos, mesmo, de gostar «da nossa terra»?»
Eu penso que , ter, não temos. Nada que seja feito por obrigação tem grande valor.
Só que , e aqui falo por mim, dou a minha opinião, eu acho que devemos. Se isso nos faz sentir bem.

Normalmente quando faço os meus "discursos" bairristas, quando anuncio aos quatro ventos o meu Amor-incondicional ,absoluto- à minha cidade, ao Porto, e ao meu País-Portugal, levo logo na cabeça.
Isto porque, desde 1989 vivo fora dela ( cidade) e dele ( País).
Dizem-me : « Pois, pois,se gostasses assim tanto ficavas lá e não andavas por esse mundo fora, armada em salta-pocinhas.»
Eu, normalmente-e se estiver numa fase Zen- calo-me . Mas se o Zen estiver de folga...atiro-me a eles , a quem me diz isso e respondo ...bem, não ficaria bem escrever aqui o que respondo nessas alturas. :)

Eu gosto da minha terra. Da minha cidade. Do meu País.
Sou nacionalista , regionalista ( mas contra a regionalização como forma política de dividir ainda mais o País )e bairrista.
Admito. E quem diz a verdade não merece castigo...pois não? :)
Voltarei a este assunto quando me passar o jet-lag.Para desenvolver o tema e dizer que , em Portugal , o único problema -realmente sério- é este : fuga aos impostos. Depois podem bater-me que eu já sou grandinha e sei defender-me.

[Mas sempre acrescento que sou nacionalista , regionalista e bairrista com o meu berço, claro, mas também outras cidades e países nos quais estou em casa: Eratz Israel; Timor Lorosae; EUA-Nova Iorque; Irlanda do Norte; República da Irlanda; Brasil; Macau e Hong-Kong; Madrid; Sri-Lanka; Goa; Nagasaki...]

Ontem, na atribulada viagem de regresso ao velho continente, estava a ler um livro de poesia berbere , que comprei junto ao aeroporto em Amã , quando a senhora que viajava ao meu lado resolveu desabafar.
Uma senhora de 72 anos de idade, jordana e belíssima.
A senhora passa metade do ano em Paris. Tem cá uma filha e quatro netos.
A viagem longa e turbulenta soltou-lhe a língua. Disse-me a senhora que não gostava da metade do ano que passava em França. Que a filha e os netos eram os seus bens mais preciosos , é certo, mas que só se sentia realmente viva na Jordânia. Entre os seus. Achei enternecedora a escolha da expressão :« entre os seus».
Isto porque, tinha-me a senhora dito antes, era viúva, não tinha mais parentes vivos com quem se desse...e a única família era a filha, o genro e os netos.
Os seus, para ela, são os jordanos. Mais do que a filha e os netos.
E eu também gosto assim da minha terra...e dos meus.

Só que esta vida de nómada, de jornalista globetrotter,não me deixa estar quieta. Só que eu gosto.
Porque assim fico mais feliz quando regresso. Muito mais feliz.

Já cá volto.




Ana [8/18/2003 11:47:00 da manhã]