Crónicas Matinais

[ quinta-feira, agosto 21, 2003 ]

 

Bom dia.

Recebi vários e-mails , ontem e já hoje, a propósito do que escrevi ontem aqui no blog.
Uns solidários ( agradeço, mas eu nunca corri qualquer perigo; nem a semana passada , nem hoje.Pelo menos não mais do que toda a gente ), outros a contrapor-me , outros ainda claramente a insultar-me.
Agradeço a todos por igual. Porque assim tenho, mais uma vez, a noção exacta da humanidade que me rodeia.

Não é fácil. Cada um tem a sua verdade e, pelos vistos, vive bem com isso. Seja.

Eu, que adoro a sabedoria do povo, os ditados populares, só me lembro, agora, deste: Não há pior cego do que aquele que não quer ver.

Mas assim é o mundo e sempre assim será.

Seja como for, uso e mantenho este blog porque tenho direito, como toda a gente. E, aqui, só escrevo sobre o que me apetece , quando me apetece e o que me apetece. Chama-se liberdade.

Não pretendo -nunca- ofender alguém; prezo muito a educação que me deram, e julgo que não a uso mal.
Não posso é deixar de dizer o que vejo, ouço, sinto, penso , só porque isso pode ser "politicamente incorrecto".
É normal que critiquem o que eu digo/escrevo.É normal e saudável e toca a todos. A crítica , que eu faço sempre que posso e, confesso, nem sempre construtiva, é a cereja que decora o bolo.
Só quem não fala, não escreve, não diz , não é criticável.Isto no sentido de não haver possibilidade de o fazer, se não se souber o que essa pessoa pensa, claro.

Ora eu arranjo já aqui -sou uma original de pacotilha- uma nova máxima: penso e digo, logo sou criticável!
parece-me bem; e justo.

Claro que me destrói ( por uns segundos) ler frases como esta : « judia fascista» «arrogante e burguesa de merda» «hipócrita e moralista de merda» e- a minha preferida- « nazista ».
Eu não sou apologista dessa faceta muito cristã e bonita, que é o «dar a outra face», seja como for, agradeço todos esses epítetos.

Porque só me dão razão. Ah pois! E podem chamar-me arrogante que é para o lado que eu durmo melhor...

Mais: Não é por ter medo de insultos fáceis e odiozinhos bacocos e arianos que me vou coibir de dizer o seguinte:

José Ramos-Horta, ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, defendeu hoje,a pena de morte para terroristas responsáveis pelo atentado à bomba contra a sede da ONU em Bagdad e por outros atentados como Bali e Jacarta.
Num artigo de opinião na edição de hoje do jornal " The Australian" , Ramos-Horta escreve:
« Estou tão irritado com este acto de terrorismo ( Bagdad) que repenso a minha oposição antiga à pena de morte para terroristas.»

Pois tem todo o meu apoio. Eu também repenso. Aliás, já ando a repensar há muito tempo.
Mais: acho que Ramos-Horta só peca por defeito.
Eu incluo todos os -quase diários- atentados contra Israel .E contra os EUA.E contra qualquer outro país .


Ramos-Horta, diz que é inaceitável que sejam os consumidores a gastar dinheiro para manter preso um terrorista que « mata, fere, destrói e rouba a vida a tantos inocentes».
Concordo. E continuo a concordar quando Ramos-Horta acrescenta : « Mas não vou gastar lágrimas quando os responsáveis pelos actos terroristas em Bali, Jacarta, Nova Iorque, Washington e Bagdad forem mortos. A morte de Sérgio ( Viera de Mello) mudou a maneira como olho para a vida e para o tema da pena de morte».

Tivesse Ramos-Horta acrescentado Israel ,e eu não estaria aqui a escrever; teria, apenas e só, colocado cá as suas palavras.

Já chegava.



Ana [8/21/2003 10:16:00 da manhã]