Crónicas Matinais

[ sexta-feira, agosto 01, 2003 ]

 

Eu tenho uma caixa de tesouros. É de tamanho médio, pintada de verde escuro; tem uma chave.
Como não temo ladrões ( só os de almas) deixo-a ao relento; pendurada no portão.
Quando me acerco de casa, olho para ela, abro-a e retiro um. Tesouro.
Esta semana tinha lá este .
Beautiful Death:Jewish Poetry and Martyrdom in Medieval France
De Susan L. Einbinder. Princeton University Press.
Fechei a caixa de tesouros.
Mais logo vou dizer ao tesouro: Abre-te Sésamo...
Depois pretendo repartir.

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E, já agora, mais um poema

WITH A VARIABLE KEY

With a variable key
you unlock the house in which
drifts the snow of that left unspoken.
Always what key you choose
depends on the blood that spurts
from your eye or your mouth or your ear.

You vary the key, you vary the word
that is free to drift with the flakes.
What snowball will form round the word
depends on the wind that rebuffs you.


[Paul Celan-traduzido do alemão por Michael Hamburger ]



Ana [8/01/2003 12:22:00 da tarde]