Crónicas Matinais

[ quinta-feira, setembro 04, 2003 ]

 

Bom dia!

Agora vou fazer um exercício; um daqueles que costumava pôr os meus professores de Ciência Política de cabelos em pé , ou os punha de galos na testa, de tanto baterem com a cabeça...taditos.
Ou seja, vou analisar uma sondagem.
E não se trata de uma sondagem daquelas de trazer por casa, daquelas da "Amostra" ou assim; trata-se da sondagem que está hoje na ordem do dia, a sondagem do German Marshall Fund dos EUA - a " Transatlantic Trends 2003".
Dizem que a sondagem mostra , grosso modo, que quem quiser pormenores que a vá ler e estudar ( desculpem lá o mau jeito), que os Europeus em geral, e os Portugueses em particular, querem que a Europa seja uma superpotência. Não necessariamente, no caso português, para competir com os EUA, mas para estar ao lado dos EUA.
Ora bem. Acho isso normal, mas-aqui já sou eu a pensar- não penso que seja para estar ao lado; penso que o que realmente move os europeus é poder, um dia, fazer frente aos EUA. Erro; digo eu.
A sondagem também "diz" que , tal como os americanos, os europeus consideram que o terrorismo é a principal ameaça que terão de enfrentar na próxima década.Só que, lá está, os europeus , confrontados com o cenário de uma ameaça com armas nucleares, ou outras, de um país vizinho, preferem impor-lhe sanções do que recorrer a um ataque militar. Também há muitos norte-americanos que pensam o mesmo, claro; mas há também uma , diria quase maioria, que percebe que as sanções -só- não resolvem nada.
Penso eu, sei lá, que deve ser por andarem de olhos abertos, por sentirem na pele o que o terrorismo faz, ou pode fazer, e que, por isso, sabem que as sanções acabam mas é por beneficiar os facínoras , os terroristas , os ditadores e também, claro, por ajudar a matar-de fome, e não só- os povos que vivem debaixo dessas sanções.
Mas que sei eu...

Sinceramente eu acho linda, maravilhosa e boa, a ideia de fazer antes amor que a guerra. Também gosto muito de fazer amor e assim...e já de guerras pouco percebo, tirando uma ou outra batalha naval em papel quadriculado, ou então uma partida de "Risco".
Mas quer-me parecer que -e já que a ameaça do terrorismo , finalmente, parece ser levada a sério por todos- vale a pena analisar , assim de uma forma prática e sem demagogia , nem moralismos bacocos, analisar, dizia, em que é que as sanções têm resultado. Digo eu, digo eu...
Mais: É óbvio que ninguém gosta de ver os seus tombar por terra, nos campos de batalha do mundo; mas se ninguém fizer nada; se os burocratas mantiveram os seus cus enfiados em sofás confortáveis, e tentarem resolver as coisas assinando decretos...parece-me curto.
Se calhar, não sei, estou aqui a fazer a apologia da guerra. Oh que má pessoa que eu devo ser...tsss
Adiante.
Também acho linda , a sério, a preocupação dos europeus em querer que a velha Europa seja uma superpotência; e acho linda porque isso confirma que, de facto, ela não é. E, lá estou eu, chata do caraças, a meter a colher, e, dizia, nunca poderá ser. Porque nós não temos europeus com objectivos comuns [ talvez haja um...o de não gostar dos EUA (ainda não é agora que falo de Israel, esperai mais um dia ou dois, se fizerdes favor) ].
O que nós, europeus geográficos temos, é um conjunto de países arrogantes, cada um com a mania que é mais importante do que o outro:ou com mais história, mas pobrezinho; ou com mais jeitinho para a moda, ou para as artes; ou com uma cozinha mais saborosa, etc.
Temos de tudo. Só não temos unidade e, que D-us me perdoe, nunca poderemos ter.
Digo isto cheia de mágoa ( mentira) .
A superpotência Europeia, a existir, seria uma catástrofe.
Desculpem mas é a minha opinião.
Porque apenas as vozes da Alemanha, da França e, quiçá, do Reino Unido, seriam ouvidas.
Não seria, nunca, uma superpotência ; seria um conjunto de superpotentes , armados em bons e em historicamente "mais ricos". Pfff
Se os europeus nem sequer se entendem em coisas básicas como a pesca ou a agricultura ( básicas no sentido de fundamentais ) , ia ser bonito...
Superpotência...tá bem abelha.

Em caso de um dia-quiçá, o mundo dá muitas voltas- isso vier a acontecer...eu declaro já aqui que rescindirei o meu contrato com essa Superpotência e pedirei asilo político ao Burkina Faso.

Ah Pois!

Nota: Todos os meus ex-professores de Ciência Política se encontram bem de saúde. Tirando um que, infelizmente, já morreu. Não, não tive culpa. Acidente rodoviário.





Ana [9/04/2003 10:57:00 da manhã]