Crónicas Matinais

[ segunda-feira, setembro 22, 2003 ]

 

E, já agora, coloco a continuação desse meu post:

«Ok...aqui fica mais uma passagem do "Coca-cola Killer"...a ver se pega!
( é que faz mesmo bem à alma e ao bom-humor ler este livro que já tem mais de 20 anos...)

" A madrugada começava a azular as copas do arvoredo e a recortar com progressiva nitidez as silhuetas do casario, quando cheguei ao Campo Grande, sempre na vã expectativa de apanhar um taxi desgarrado que me conduzisse às Janelas Verdes, ao conforto repousante do lar conjugal, onde Patrícia Flávia , não obstante a resistência granítica do seu sono quando tomava uns comprimidos suíços, talvez já principiasse a ficar inquieta com a duração da minha ausência.
(...)
As ruas estavam desertas, em conformidade com a hora matutina, mas fui surpreendido pela súbita aparição de uma longa coluna militar motorizada que aguardava a luz verde de um semáforo para avançar pela Av.da Républica, com todo o seu arsenal de jeeps e blindados.
Dirigi-me ao veículo mais próximo e perguntei, delicadamente:
- Temos uma paradazinha, não?
Os soldados sorriram-me, prazenteiros, amabilíssimos , e um oficial respondeu-me:
- Mais ou menos, amigo, mais ou menos...
Nessa altura, houve um outro oficial que se apeou do seu jeep e veio perguntar com certa ironia, ainda que sempre cordialmente, aos companheiros da frente:
- Ó camaradas! Pode saber-se do que é que a gente está aqui à espera?...
Ao que o soldado motorista respondeu:
- Saiba o meu capitão que se a gente não parar nos sinais vermelhos nos arriscamos a ter acidentes...
O capitão soltou uma gargalhada jovial e retorquiu:
- Mas que revolução vem a ser esta que fica parada nos sinais vermelhos?
E novamente o soldado:
- O meu capitão desculpe , mas ...como é que as pessoas sabem que isto é uma revolução?
Pergunta pertinente : eu, por exemplo, nunca poderia imaginar que aquele alegre desfile de militares risonhos incubava o vírus rebelde de uma revolução- e o meu primeiro movimento de curiosidade foi saber contra quem e contra quê se processaria essa insurreição...
O oficial que em primeiro lugar falara comigo esclareceu-me em poucas palavras:
- Estamos aqui para restaurar a democracia.
- Contra o Caetano, portanto?
Os soldados entreolharam-se durante alguns momentos, até que um deles de decidiu a falar , timidamente:
- O amigo tem que compreender que a gente, em princípio, não é contra ninguém em especial, mas sim pela democracia. Quem for pela democracia , é por nós!
Lembro-me de ter olhado para o cano da G-3, casualmente apontado na minha direcção, e de ter pensado de mim para mim que, não obstante o aspecto paradoxalmente pacífico e bem disposto daqueles soldados, uma arma era sempre uma arma- pelo que me apressei a declarar:
- Então eu sou por vós, porque também sempre pugnei pela democracia, desde criança! Podem não acreditar, mas é verdade: desde menino!
A luz verde do semáforo já abria passagem à caravana revolucionária e preparava-me para me despedir quando um outro oficial me perguntou:
- O amigo quer que a gente o leve a algum lado?
Hesitei, pouco afeito a viajar de blindados, livre que ficara do serviço militar por via do pé chato e das recomendações amigas de um coronel, a quem não passara despercebido o meu profundo horror ao belicismo. Contudo, era um convite tentador: àquela hora , onde é que eu ia arranjar um taxi?...
-Eu não sei se fica em caminho- redargui, atenciosamente.- A minha casa é nas Janelas verdes...
O oficial fixou-me por instantes e depois cochichou alguma coisa ao ouvido de um colega, numa pausa que não poderia deixar de me inquietar , pois isto de revolucionários é uma fauna esquisita: uma pequena suspeita e vai de encostar um cidadão à parede, feito passador...
Por fim, aquele a quem o soldado motorista tratara por capitão dirigiu-se a mim , muito correctamente, aliás, e dissipou-me o vago pânico que ameaçava assaltar-me:
- A gente quer ir para o Largo do Carmo, mas não conhecemos bem o caminho por causa de umas obras que andam aí a fazer...Se o amigo , já que é um democrata, fizesse o favor de nos acompanhar , indicando-nos as ruas, nós depois até mandávamos um jeep conduzi-lo a casa.
- -Mas com todo o prazer! - exclamei aliviado.- E nem é preciso levarem-me a casa, incomodarem-se , interromperem o vosso trabalho: do Carmo às janelas Verdes é um saltinho que se faz bem a pé!
No meio de palmadas amigáveis nas costas, trepei para um jeep e avancámos decididamente a caminho do miserável coito onde o fascista Caetano e os seus sequazes se tinham aquartelado.
A brisa fresca da madrugada afagava-me as faces, convidava-me a respirar o ar renovador dessa aurora revolucionária, entusiasmava-me , despertava-me instintos guerreiros, inspirava-me a verve oratória e musical, levava-me a cantar, batendo ruidosamente com as mãos na chapa do veículo:
- Les aristocrates- on les pendra! Les aristocrates- on les pendra!...
Perto do Saldanha , um dos militares pediu-me que me moderasse , pois passara por nós um ""creme nívea"( só mais tarde vim a saber que era o nome atribuído aos carros azuis da polícia...) e não convinha que déssemos nas vistas. Na verdade, explicou-me ainda o militar, o nosso poder bélico era mínimo e bastaria uma resistência minimamente organizada por parte das tropas afectas ao governo para nos reduzirem a cinzas...
- Ó diabo, mas isso não está no programa, pois não? - Indaguei, compreensivelmente preocupado.
- A gente joga com a desordem deles, mas nunca fiando- retorquiu-me, com um sorriso assaz inquietante.
Escusado será dizer que me moderei e confesso que até voltei a sentir desejos de me dissociar da aventura, simular um vómito, regressar a pé para casa , avesso que sempre fui a improvisações. Mas era tarde: segundo os meus companheiros de veículo, a PIDE já deveria estar de alerta...
Não pude deixar de relatar as múltiplas razões de queixa que tinha contra essa organização:
-Carimbaram-me um dedo, é verdade!- exclamei emocionadamente- isto para já não falar nas coxas escaldadas com café a ferver, nas listas telefónicas na cabeça, nas bofetadas e na rasteira que me fez rolar pela escada! Uma coisa infame!
Os militares pareciam comovidos e abraçavam-me, com enfática solidariedade:
- Agora chegou a nossa hora! Se Deus quiser, logo à tardinha, temos o país nas mãos da liberdade!
E eu, novamente invadido por um arroubo patriótico:
- Com Deus ou com o diabo, libertem-nos, rapazes! Dêem , sobretudo, cabo desse Caetano malvado: por causa dele, ainda não atingi um posto que há muitos anos persigo e sei que mereço!
Chegamos aos Restauradores , tivemos que travar bruscamente para não atropelarmos um sujeito bizarro, de barba e cabeleira branca, segundo soubemos, um pintor perseguido pelo fascismo, figura demasiadamente excessiva e buliçosa , para meu gosto, que soltava medonhos urros no meio da rua, apoiando o avanço das forças democráticas orientadas por mim:
- Viva a liberdade!!!Viva Portugal!!!

Abusivamente , saltou para o nosso jeep e começou logo por fornecer indicações erradas : em vez de subirmos o Chiado , como seria lógico e eu aconselhava, fomos parar ao Terreiro do Paço, onde uma multidão já considerável se manifestava a favor da revolução, num alarido de festa impressionante...
Nesse momento , surgiram já não sei donde uns outros militares , meia dúzia de gatos- pingados rodeando um jeep de onde saiu um general de palavras enérgicas, mas gestos um pouco adamados, que se dirigiu à nossa coluna em termos assaz desabridos.
O capitão que me convidara a dirigir a marcha das viaturas revolucionárias através das ruas de Lisboa aproximou-se cortesmente do general em fúria, fez-lhe a continência e disse-lhe , sempre nos melhores modos:
- Meu general, acho que o melhor qu tem a fazer é render-se.
O outro pulou de indignação e ripostou:
- E se eu não me render?
- Nesse caso, terei de o matar, o que me parece extremamente indigesto a esta hora da manhã...além de bastante estúpido e evitável!
O general olhou desesperadamente em volta, como que em busca de um apoio que ninguém lhe fez o favor de conceder, meditou durante uns breves instantes e depois rendeu-se , entregou-se aos soldados , sem um tiro, sem um golpe de espada, sem uma gota de sangue: ignóbil, em suma...
Uns metros adiante, junto ao Ministério da Marinha, ouviram-se vozes provindas de uma janela. Eram dois ministros que clamavam por socorro, apelando para o general, sem mesmo atentarem na sua triste situação dentro do jeep .
- Ó senhor general! Venha libertar-nos , faça favor! - gritavam-lhe lá de cima, o timbre aflautado pela excitação.
- Não posso...
- Porquê?
- Porque...porque estou preso!
Até chegarmos ao Carmo, sempre pessimamente orientados pelo pintor barbudo que persistia em ignorar as minhas indicações e em fazer prevalecer os seus desvarios , ainda fomos abordados por dois ou três destacamentos de tropa fiéis ao governo, mas o número de elementos que os compunha era tão reduzido , reinava nos seus rostos pategos de magala uma tal perplexidade , que se tornou fácil fazê-los desistir de qualquer oposição violenta , cada vez tornada menos viável, aliás, pela crescente balbúrdia da multidão que nos aclamava com brados de incontida e contagiosa alegria.
Havia gente de toda a espécie, de cambulhada com a gentalha infecta e oportunista que se esgueira pelos esgotos sociais do mundo, à caça de ocasiões para se infiltrar na imagem histórica dos grandes acontecimentos.
No meio de intelectuais noctívagos , saídos da rambóia dos bares suspeitos da capital, de burgueses estremunhados pelo inusitado alvoroço matutino, de operários , vendedeiras da praça e funcionários públicos relapsos às obrigações profissionais, de estudantes eufóricos, de crianças desvairadas pela atmosfera de delírio lúdico, de polícias despoletados da sua função ordeira, de prostitutas exaustas pelas lubricidades da noite, os nossos carros avançavam dificilmente, rodeados de entusiasmo transbordante , de ovações, de manifestações carinhosas, tais e tantas, que dei por mim abraçado a dois mulatos, numa involuntária pose colhida pela imprensa fotográfica e divulgada até no estrangeiro!
Os soldados conseguiam a muito custo tomar algumas posições estratégicas em torno do velho edifício onde o ditador Caetano se acoitara com uns tantos acólitos, e tentavam afastar a garotada impertinente que volteava em torno das metralhadoras:
- Chega-te para lá, menino!- ouvia-se constantemente dizer.
Uma mulher de meia-idade e expressão angustiada pretendia, ostensivamente, furar a muralha de gente e de blindados que se atravessava no seu caminho:
- Eu não tenho nada a ver com isto!- exclamava , perturbadíssima , as lágrimas nos olhos,.- Se não chego a horas ao emprego , quem me paga o ordenado?! Quem é que dá de comer aos meus filhos?
Ao que um dos militares respondeu:
- Hoje é feriado, minha senhora. E a partir de agora, por todos os séculos, será sempre feriado no dia 25 de Abril!
A multidão ovacionou a frase do militar, embora a mulher continuasse a protestar desesperadamente , sinistra e agoirenta no negrume das suas vestes de viúva de fresca data:
- Vão dizer isso ao meu patrão e não a mim, pois não é com festas que se mata a fome!
Um porta-voz dos sitiados veio anunciar que o governo não se rendia, o que provocou grande mal-estar entre nós e me levou a dirigir-me , decididamente, a um dos oficiais , exortando-o a pôr fim às arrogâncias do déspota:
- De que é que estamos à espera para bombardearmos o covil?- indaguei, sereno mas autoritário.
Para minha grande aflição, porém, o oficial confidenciou-me , tomando-me por um braço:
- Para já , a gente queria evitar sangueiras, ó amigo... E em segundo lugar, mesmo que quiséssemos bombardear aquilo, não podíamos: as granadas que trazemos connosco são tão potentes que, se disparássemos daqui, arrasávamos dois quarteirões e morríamos todos!
- Isso equivale a dizer que estamos...desarmados?- manifestei o meu receio justificadíssimo.
- Mais ou menos.Quando muito , para assustar , vamos mandar umas rajaditas de metralhadora , a ver se pega...
- E se não pega?!-sobressaltei-me.
- Se não pega, estamos lixados...
Confesso que a minha indignação foi grande: então convidava-se em plena madrugada um cidadão de conduta exemplarmente pacífica- não obstante as profundas feridas rasgadas pelo regime na sua sensibilidade física e moral, os justos interesses tantas vezes lesados por arbitrariedades governamentais e administrativas- a participar num movimento revolucionário , a orientá-lo , inclusivamente , pelas ruas de Lisboa, e só no momento crucial em que as sortes estavam lançadas se lhe confessava que tudo aquilo não passava de uma aventura perigosíssima de gente desarmada , ou com tais armas que mais valia não ter nenhuma, de um bluff aceitável numa partida de pocker entre amigos, mas jamais numa sublevação militar com pretensões históricas?
Então conduziam um homem probo e digno a situações tão melindrosas como desagradáveis , obrigado a repartir o comando das operações com um pintor peludo, de barbas e cabelos ao vento, desaustinadíssimo, prepotente e malcriado , a deixar-se submergir por uma cáfila ululante e fedente , ignobilmente abraçado a pretos desconhecidos, fotografado para os jornais de todo o mundo nessa tristíssima promiscuidade com a catinga colonial, sujeito às mais drásticas represálias , à perda sem remissão de um posto tão obsessivamente perseguido durante anos de trabalho e luta- e confrontavam-nos , à queima-roupa, com um inconcebível jogo de azar , folguedo de péssimo gosto, em que um contingente de taratas incompetentes e de revolucionários apalermados admitia não ter meios bélicos para derrubar o governo, rudimentarmente entrincheirado atrás das paredes de um convento em ruínas?!
Todas estas ideias me bailavam em turbilhão no cérebro, enquanto admitia a hipótese -inteiramente legítima- de achar um caminho para a Guarda Republicana , assaz bem protegida pelos sólidos muros do quartel, a fim de denunciar aos seus comandos a real debilidade das forças sitiadoras e, deste modo, merecer o perdão das entidades oficiais para a leviandade da minha presença naquela garotada desorganizada e inconsistente , mais um típico exemplo de improvisação lusitana , de inépcia e de irresponsabilidade!
Infelizmente , havia um militar revoltoso que passeava debaixo das janelas da GNR, à espera de uma decisão que tanto poderia ser uma rendição como uma resposta bélica adequada e, muito provavelmente, decisiva: o imprudente capitão do movimento insurrecto era um alvo que não estaria a mais de três metros das armas fiéis a Marcello Caetano...
Passados minutos da maior ansiedade, em que senti as gotas de suor escorrem-me pela face, pelas pernas, pelas costas, ensoparem-me os sovacos , o comandante da Guarda Republicana saiu à rua, decidido a render-se , mas foi pertinente na sua observação, após uma cotovelada amigável na ilharga do rebelde:
- Ó meu capitão!, olhe que se eu quisesse, tinha-lhe dado um tiro...
Contudo, a situação estava longe de se clarificar: a fim de evitar que o poder caísse na rua, segundo afirmava, o Presidente do Conselho exigia que lhe trouxessem o general Spínola, o qual, provavelmente, estaria nessa altura de pijama , ainda sem monóculo, por arranjar e por barbear, na intimidade do seu pequeno-almoço, pouco disposto a acorrer às chamadas de um homem que acabara de lhe fazer acerbas críticas pela televisão e até de lhe sabotar a distribuição de um livro , afora outros diferendos.
Confundido pelo inesperado de uma reclamação tão impositiva por parte de um homem a quem vinha retirar as chaves do poder , o militar encarregado da melindrosa missão teria hesitado , gaguejando frases sem nexo, a típica comichão da perplexidade a irritar-lhe a nuca, a turvar-lhe a lucidez...- e acabara por transigir , por ceder à vontade do preso, por solicitar a comparência do general requerido, por deixar incrivelmente esquecidos no bolso do governante deposto os símbolos de uma autoridade que jamais alguém voltaria a encontrar na subsequente balbúrdia do processo revolucionário em curso!
Alheia a toda esta complexa problemática, a multidão continuava a crescer em número, entusiasmo e espírito festivo, prejudicando gravemente aquele mínimo de concentração imprescindível para que os soldados pudessem , ao menos, cumprir a sua missão amedontradora :dir-nos-íamos num arraial, num luna-parque, no recreio de uma escola primária, rodeados por uma mancha humana socialmente heterogénea , mas igualizada na inconsciência com que encarava os riscos que pairavam nos conturbados ares dessa manhã primaveril!
Nos momentos mais dramáticos em que um simples gesto em falso daria azo a um tiroteio sem fim, a um massacre incomparável na nossa História de brandos costumes , havia um locutor de rádio que, microfone na mão, fazia o relato dos acontecimentos com aquela verborreia característica das transmissões desportivas- e quando, após insuportáveis delongas , se apontavam, finalmente, as metralhadoras contra o edifício sitiado , aparecia sempre um soldado qualquer a lastimar-se juntos dos seus superiores:
- A gente não pode disparar, meu capitão...
- Porque é que não podem disparar?- indagavam os oficiais.
- Porque o pintor está outra vez na zona de tiro...
A minha vontade era gritar que dessem cabo desse energúmeno, que disparassem , que rebentassem com aquilo tudo, que acabassem com tal situação, antes que fosse tarde, antes que os outros desmascarassem o bluff e viessem ao ataque, a PIDE à frente, a comandar as operações, enxameada de Baratas, Cordeiros e Franquelins sedentos de vingança, prontos a reconhecer-me, a surpreender-me nos braços dos dois mulatos que persistiam em se atrelar a mim, pegajosos e comprometedores, um pesadelo vivo nessa manhã de Abril!
Finalmente , porém o general Spínola apareceu, saudado como um herói salvador pela turbamulta, incensado pelo repórter radiofónico , em transmissão directa para todo o País, dizia ele, numa apoteose inaudita- e após conversações a que não assisti , e que julguei de antemão penosas, a pandilha fascista baixou os braços, vergada à realidade da derrota, evacuou o reduto do derradeiro esconderijo e deixou-se introduzir , como uma vara de porcos, humilhada e repelente, na indizível angústia dos seus rostos, excepção feita ao Caetano , insensível e frio que nem um crocodilo, na Chaimite dos restauradores da democracia portuguesa.
Os meus nervos acumulados , não apenas durante aquelas horas, mas ao longo de anos de repressão da liberdade, extravasaram num alarde incontido de vitalidade: sempre com os mulatos à fila, saltei para cima do veículo , tomei uma bandeira nacional nas mãos e, na companhia de mais democratas, cobri a chapa blindada de pontapés e de punhadas, espumante de furor patriótico , cego de irascibilidade, pletórico de energia viril, urrando como um louco por um megafone que por alí aparecera:
- A eles, camaradas, a eles! Morte ao fascismo!!! Morte aos bandalhos!!!
Concedo que me excedi. Mas como eu, não havia muitos outros?! "


Relato de:
Marcelino da Gama, o Coca-cola Killer, o filho do "Monstro do Dafundo"»


Ana [9/22/2003 12:33:00 da tarde]