Crónicas Matinais

[ sexta-feira, setembro 26, 2003 ]

 

Rosh Hashanah

Daqui a umas horas começa o ano de 5764.
O Ano novo judaico.
Segundo a Cabala( a Cabala é o entendimento. Entendimento do que acontece verdadeiramente além da percepção dos nossos sentidos , além da lógica e dos números. Entender, para a Cabala, não é um processo meramente intelectual, mas algo maior que combina a razão com a emoção; a aceitação de algo como parte inseparável de nós) 5764 é o ano da Kavanah. A Concentração.

Rosh Hashanah é, juntamente com oYom Kippur(que se comemora a 6 de Outubro), um dia intenso( Iamim noraim). É a hora de acordar. De ouvir tocar o Shofar (instrumento feito de chifres de carneiro) e dar início à mais importante jornada espiritual da existência.
É a hora de ser Judeu, ou, mais importante ainda : de ser Humano. Em todas as vertentes da palavra.É nesta altura que acertamos contas com D-us.

Época de orar, de silêncio, de jejum , mas com ocasiões de verdadeira festa; de estar com as pessoas que amamos: família e amigos; de pedir desculpa, perdão; de fazer novas promessas. E de desejar um ano novo melhor.
Diz-se: Shanah Tovah.

Também se visita, nesta época, o túmulo dos antepassados. Entre os judeus existe o sentimento de que os mortos queridos podem, de alguma forma, interceder pelos vivos junto de D-us.

Mais logo, ao entardecer, as famílias reunem-se para uma refeição festiva.
Acendem-se duas velas e torna-se, a mesa, o local, um "templo" sagrado. Os objectos do dia-a-dia são abençoados e ganham significados especiais.

Rosh Hashanah é o aniversário da criação do homem ( segundo o Génesis, D-us criou Adão e Eva no sexto dia da Criação ).

Mesmo os judeus não religiosos celebram esta data.
Mas, do ponto de vista religioso, é esta a altura de reconhecer que:
-D-us é o único senhor e juiz de todas as coisas vivas!
O momento de tomar consciência de que o nosso comportamento diante Dele, e do próximo, é , será, avaliado e julgado.

É, no fundo, a última oportunidade de nos arrependermos.

E seguem-se 10 dias de arrependimento. 10 dias entre Rosh Hashanah e Yom Kippur. São os dias de Thesuva.
De Retorno; é a palavra hebraica para arrependimento.
Thesuva começa quando o homem/mulher , pára de se considerar uma vítima inocente de um mundo pré-determinado e encara de frente a sua liberdade de escolha; as suas responsabilidades em relação a D-us; a si próprio e aos demais; ao seus próximos.

10 dias. Depois é o Yom Kippur: O Dia Do Julgamento Final.
O Dia do Perdão. O dia do mais longo jejum do calendário judaico. São 25 horas a nãofazer.
Não comer; não beber; não trabalhar.
Para imitar os anjos.
Mas, antes do jejum, há uma confissão colectiva na Sinagoga ( Viddui) , e uma refeição com sopa e galinha, além do pão ázimo e do vinho, que estão sempre presentes nas mesas judaicas.
Depois, ao rumar à Sinagoga, os pais abençoam as crianças e acendem velas pelos que já morreram.
E o dia está quase terminado.
Nos últimos minutos, antes do pôr-do-sol, quando os Portões do Arrependimento se fecham, D-us dá a sentença final; e escreve o nome de cada um no Livro da Vida do ano seguinte. Para a vida ou para a morte.

Fiz, baseando-me no que estudei, e nas mensagens que -já hoje- recebi dos meus irmãos, esta espécie de resumo.
Rosh Hashanah e Yum Kippur, são, então, os Iamin noraim, o que significa, em hebraico: dias intensos ou terríveis.

O que qualquer judeu vos diz, hoje, é que estes dias não estão só ligados à cultura judaica.
Qualquer um de nós, de vós, pode tirar proveito e reflectir sobre o seu significado.
Eu, Ana, faço-vos o convite.Não custa nada.

Shanah Tovah.

Ana [9/26/2003 10:55:00 da manhã]