Crónicas Matinais

[ quinta-feira, setembro 11, 2003 ]

 

Sobriedade.

Dois anos depois, em Nova Iorque; em Washington. Em todo o lado onde há memória.

Tinha pensado não escrever nada...mas não consigo.

Há dois anos.




Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.




Carlos Drummond de Andrade


Ana [9/11/2003 10:13:00 da manhã]