Crónicas Matinais

[ quinta-feira, outubro 16, 2003 ]

 

«Então e o que é que há para ver na Nova Zelândia? » Perguntou-me um amigo, quando de lá regressei. Isto já se passou há uns anos. Eu respondi , para além do óbvio ( ovelhas!): A cultura Máori, com o Tiki por todo o lado; A natureza no seu melhor...e um dos museus mais bonitos do mundo - Auckland Museum. E, claro, vale a pena vasculhar este belo e pacato país do quinto continente , para conhecer a escritora Janet Frame.

«Quem?» pergunta-me ele. E eu respondo:

Janet Frame. Uma escritora que passou as passas do Algarve e que, de tanto lhe chagarem a molécula ( já explico como ) , mudou Frame para Clutha e mudou-se para a península de Whangaparaoa, a norte de Auckland. E isto nos anos 70, do século XX.

É a segunda vez, nos últimos dias, que me lembro dela. Primeiro foi porque ela foi incluída na «short list of five » candidatos ao prémio Nobel da literatura deste ano.
A outra foi por ontem ter falado de Anjos e porque um dos livros dela que li- e o que mais gosto- tem por título, justamente : An Angel at My Table.

Janet Frame tem uma história curiosa. Nasceu em Dunedin, em 1924. Tinha 5 irmãos. Um dos irmãos sofria de epilepsia ; A irmã mais nova , e a mais vela, afogaram-se. Acontecimentos que marcaram, notoriamente, todo o seu trabalho.
Vida difícil julgais vós..iIt gets worse.
Em 1947, Janet Frame foi -erradamente- diagnosticada esquizofrénica.Por via disso, recebeu durante 8 anos tratamentos de choque-sim, choques eléctricos- em vários hospitais para doentes mentais. 8 anos.

Não admira, portanto, que dos seus livros saiam personagens consideradas retratos perfeitos de loucos excêntricos; de visionários que se encontram em duelo constante com uma sociedade tradicional e conformista.

A marca de Janet Frame, é precisamente esse ponto crítico. O negro. A negatividade. Uma espécie de elogio da loucura. Mas não procurem nos seus livros dedadas de Erasmo e de Faucault...que não encontram.

Para além do já citado "An Angel At My Table", aconselho : "To The Is-Land"; "Beginnings" ; " Faces in The Water"; e " The Envoy From Mirror City". Mas há mais...

Kia Ora ( saudação Máori)


ps- e perguntou-me o tal meu amigo: « E chegaste a conhecer a escritora?» E eu: «Não! »

Ana [10/16/2003 11:14:00 da manhã]