Crónicas Matinais

[ quinta-feira, outubro 09, 2003 ]

 

Estou a ficar farta de "comentar", aqui no blog, a actualidade.
Queria usar este meio para rir, e para falar de livros e de autores; e acabo sempre por me desviar. Por isso, enough is enough ( por uns tempos ) vamos aos livros.

Aquando da escolha para o prémio Nobel da literatura, mencionei-o, mas não o considerei potencial vencedor; falo de Philip Roth.
Ele, pelo que tenho lido, era a escolha de muitos ilustres da blogosfera.
Se eu disser que não o aprecio muito, minto. Mas, tenho a certeza, ele nunca vencerá o Nobel. Por isso nunca o apontarei. O que também penso, a sério, é que isso não é negativo. Pelo contrário.
Até porque, como todos sabemos, o prémio Nobel da Literatura não é- tirando algumas excepções- sinónimo de justiça literária. Adiante.


Não vou cansar-vos aqui com a história da vida de Philip (Milton ) Roth. Quem a quiser saber, sabe também onde a procurar.
Vou é falar sobre os livros dele; os que mais gosto e me marcaram.

Julgo que foi no final dos anos 50, princípios dos anos 60, que Roth publicou o "Goodbye Columbus". Li-o em meados dos anos 80, em Nova Iorque.
Gosto do tom novelesco e, além disso, adoro short stories. O " Goodbye Columbus", conta a história de uma família judia , tipicamente classe média. Muito bom, o livro. Bem melhor, como costuma ser sempre, que o filme , baseado no livro, que, julgo eu, é dos anos 70.
Mas o que me agarrou a Roth ( juntamente com razões culturais e religiosas ) foi , sem dúvida, esse portento : " Portnoy's Complaint".
É um livro que muitos consideram masturbatório. Porque uma história sobre o sexo "proibido" como escape na vida de um jovem rapaz. Com este livro, Roth passou a ser como o Real Madrid, i.e., galaticamente conhecido.
Não tenho o livro cá comigo em Paris, está na minha "Torre do Tombo" privada, no Porto.
Mas a internet, este admirável mundo novo, permitiu-me encontrar um pedacinho da prosa desse livro único.
Segue o "plágio" :

«What I'm saying, Doctor, is that I don't seem to stick my dick up these girls, as much as I stick ir up their backgrounds- as through fucking I will discover America.Conquer America - maybe that's more like it. Columbus, Captain Smith, Governor Winthorp, General Washington - now Portnoy.»

Mais tarde, com o " The Breast", aparece o memorável David Kepes, que me levou também a não perder "The Professor of Desire" e , mais recentemente "The Dying Animal", livro que já tenho,ainda não li, mas tenho a certeza que vou adorar.

Portugal, que eu saiba , está mal servido no que a Roth diz respeito. Mas, reconheço, só lhe conheço duas,e boas, traduções ; ambas da Dom Quixote: " Casei com um Comunista" e " Teatro de Sabbath".
Tudo o resto , penso eu, existe em inglês- don't you just love Amazon?- mas podem ser encontrados, os livros, em qualquer FNAC.

E ainda bem, porque é fundamental, também, para quem se apaixona por Roth, escarafunchar o " My Life As a Man"; "When She Was Good"; " Operation Shylock"; " TThe Great American Novel"; Patrimony"; " The Ghost Writer "; The Conversation of the Jews; The Human Stain".
E , porque tem de ser destacado à parte: " American Pastoral".
Salvo erro, Pulizer de 1997. Uma história -agora e sempre- actualíssima; sobre um judeu ( Levov), cuja filha decide tornar-se terrorista.
É um livro inspirado no poema épico de Milton - Paradise Lost.


Tudo o que Roth escreveu, e escreve, é bom. Tudo.
E, tenho a certeza, também há lá muito de Claire Bloom; a mulher que desde os anos 70 acompanha Roth, apesar de só se terem casado muito mais tarde. ( Penso que até já estão separados há uns tempos ) .
Claire Bloom , actriz de teatro exemplar ( fez, como ninguém, em palco, a mítica Blanche DuBois do também mítico " Um Eléctrico Chamado Desejo") ,publicou , também, alguns livros, mas eu, confesso, só li o livro de memórias : " Leaving a Doll's House" ; que também aconselho, vivamente.

Ana [10/09/2003 12:05:00 da tarde]