Crónicas Matinais

[ terça-feira, outubro 07, 2003 ]

 

Mais do mesmo

O que mais me irrita no fundamentalismo é a falta de inteligência.
Digo isto, e não me importo que levem a mal ( também estou fartinha de ser ofendida por fumar , portanto:paciência!) , a propósito dos antitabagistas.
Ao ler o Aviz, nos textos Português Suave, tomo, mais uma vez,consciência da falta de civismo e elegância, que caracteriza os argumentos dos que acham que não se devia fumar; nunca.Eu, lamento, mas vou pagar na mesma moeda. É a vida.
Pois muito bem: eu, ao contrário do F.J.V., que é um verdadeiro senhor educado e cordato , eu não aceito que me condenem por fumar. Fumo o que quiser, quando quiser e sempre que quiser. E só não fumo onde quiser, porque, ao contrário dos fundamentalistas, respeito a lei e, acima de tudo, os outros.
Mas não admito que me proibam de fumar. Chama-se liberdade e chama-se democracia. Palavras que, já se sabe, são desconhecidas de qualquer fundamentalista , seja em que área for.
O antitabagismo é a mais gritante hipocrisia dos nossos tempos.
O tabaco-que faz mal, é certo, mas o que não faz?- é uma substância que não altera o comportamento de quem fuma. E já nem falo da importância económica, global, da indústria do tabaco…
O que irrita é a falta de democracia . O querer impor. O espezinhar a vontade do próximo, para impor a sua própria vontade. A tirania. A falta de inteligência. O fascismo.
Eu posso fumar quinze maços de tabaco, por dia, que isso não vai matar ninguém. E, se , hipoteticamente, matar, matar-me-á a mim; apenas a mim.
Já sei, agora é a altura da converseta : «coitadinhos dos fumadores passivos…». Não me fodam.
Basta sair à rua para morrer com um cancro nos pulmões. Algum de vós já leu, com atenção, os relatórios da qualidade do ar? Algum de vós já se alapou defronte de uma lareira e fechou as portinhas e janelinhas todas já? Isso sim: isso mata. Esses fumos sim.
Aliás, qualquer fumo mata, se inalado em demasia, porque nos sufoca. Mas afirmar-se que o fumo do tabaco é que é perigoso…chaga-me a molécula!
Ou se acabam com os carros; com os aviões; com as fábricas; com as queimadas….ou então usem a cabeça para pensar, antes de apontarem o dedo- quais denunciadores de judeus em plena alemanhã nazi- de cada vez que encontram alguém a fumar.
Emborcar grandes quantidades de álcool…ça va. Gritar e fazer manifs pela despenalização das drogas ditas leves…ça va. Agora para os fumadores grita-se: morte!
Aumenta-se o preço do tabaco várias vezes ao ano e a malta ,fumadora, cala-se e paga. Pois eu , nem me calo nem pago. Se for preciso vou buscá-lo onde ele é mais barato. E se for preciso também, compro tabaco de contrabando. Quero lá saber!
Eu deixo de fumar se quiser; não por imposição. Era o que mais faltava!
Eu, por exemplo, sou abstémia; não bebo álcool. Acho que o álcool faz mal, não só a quem bebe, mas aos outros. Isto porque, se um palerma ou uma palerma, beber de mais e, depois, pegar num carro…pode matar-me. Ou pode levar a comportamentos de violência extrema. Porque, lá está, o álcool modifica os comportamentos de quem o bebe.
Mas, mesmo pensando assim, não me vou armar em parva e pedir o fim da venda do álcool. Apesar de favoravel a algumas restrições , não posso impor o meu desejo a todos. Querem beber, bebem.
Bebam o que quiserem. Mas, por favor, apanhem um taxi!

Outra coisa: sou, também, diabética. É genético. A mim, pode matar-me: meia dúzia de bolos ; barras de chocolate; etc.
O açucar; as gorduras, para mim são o fim. Se eu fosse uma dessas fundamentalistas, andava para aí a fazer atentados à la FP25, ou seja, a pôr bombas nas pastelarias e casas de chá. E, a ver pela brandura das nossas leis, até nem me acontecia nada.
Mas não. Como tenho o cérebro com alguma coisa dentro, limito-me a não comer. E se estiver com gente que se está a encher de bolos e chupa-chupas à minha frente, não me vou armar em beata e fazer um manifesto anti-açucar. Querem comer, comem.

Também nunca fumei , nem sequer um charro, na vida. Falo de estupefacientes. Mas não o fiz porque não quero alterar o meu comportamento e, ok, admito, porque sou demasiado bota-de-elástico.
Mas ninguém me há-de ver por aí, feita maluquinha, a vociferar contra quem fuma.
Deixo isso para os legisladores e os polícias.


Tudo faz mal. Tudo.
Comer; passear ao ar livre ( nas cidades, especialmente ) e respirar ; foder…etc. Também fumar, é certo…mas ou acabam com tudo o que faz mal ou deixem-me em paz !
Mainada !

[ Provavelmente este texto está mais "violento" do que eu própria desejaria, mas a culpa é de uma pessoa fundamentalista anti-fumo, que se veio cá colar a mim, e eu de cada vez que acendo um cigarro ela chateia-me a cabeça com dados ditos ciêntificos...e eu, para não a fazer engolir um guarda-chuva que cá tenho , muito jeitoso, prefiro escrever. Até porque o guarda-chuva me faz muita falta...porque tem estado de chuva!]

Ana [10/07/2003 11:08:00 da manhã]