Crónicas Matinais

[ sexta-feira, novembro 21, 2003 ]

 

Não li o Jornal Público; nem vou ler. Por isso não sei se José Manuel Fernandes escreveu o mesmo que disse esta manhã na Ant.1. Falando sobre os atentados em Istambul, José Manuel Fernandes lembrou , relembrando ainda os de Sábado passado, que aquelas sinagogas não estão ( estavam) lá há meia dúzia de anos; nem sequer há cem...mas há pelo menos quinhentos. Exactamente.
Para os mais distraídos ( eu diria ignorantes, mas é porque acordei mais belicista do que o costume ), que não conhecem a saga dos judeus expulsos da Península Ibérica , a Turquia, e toda a região, pode parecer um destino improvável, mas não é, ou melhor, não era. Até porque nas alturas em que se perseguiram os Judeus , a solidariedade dos nossos irmãos Árabes e Muçulmanos foi fundamental. Bom, mas não pretendo dar uma aula de história. Onde quero chegar é a um livro.
José Manuel Fernandes , deu como exemplo para se perceber a ligação dos judeus a essa parte do mundo, um livro: " A Senhora" de Catherine Clément.
É um romance histórico fascinante. Passa-se no século XVI. A história de Gracia Nasi, jovem viúva de um banqueiro português, que encarna na perfeição a coragem, a perseverança e o sofrimento dos judeus (sefarditas) perseguidos pela inquisição.
Nesse romance, podemos ler como com a protecção do Imperador otomano Solimão ( O Magnífico ) , Nasi tentou estabelecer um território judeu -independente- na região. A primeira tentativa concreta entre os séculos IV e XVIII.
O "narrador" da saga, que vive em Istambul, o Duque de Naxos , é quem nos transporta pelos caminhos ricos que Catherine Clément traçou.
É , seguramente, um dos mais importantes romances históricos que já li.
E é por isso que falo dele, e que agradeço a lembrança a José Manuel Fernandes. E recomendo o livro, claro.

Ana [11/21/2003 10:52:00 da manhã]