Crónicas Matinais

[ quarta-feira, dezembro 03, 2003 ]

 

My Name is Cruela DeVille

Imaginem aqueles "cães" minorcas e com lacinhos na cabeça. Imaginem dois.
Agora imaginem que vão a passar por uma rua calma e, de repente, vos saltam às pernas essas duas amostras de quadrúpedes. Aconteceu-me.
Uma dessas bolas de naflatina com pêlos, filou os dentecos numa perna das minhas calças de fazenda-novas!; o outro anormal agarrou-se a uma das minhas botas. Um de cada lado. A primeira reacção é rir, claro. Mas depois de uns minutos daquilo uma pessoa cansa-se e chateia-se.
As bestas mirim não desistiam e puxavam furiosamente, um pela fazenda, o outro pelo couro.
A vida custa a todos, de maneira que para não ficar com as calças com buracos maiores, e com uma bota imprópria para a chuva , resolvi tomar uma medida drástica: abanei as pernas. Uma de cada vez, claro!...que não pretendia estatelar-me no chão, e fazer uma figura ainda mais triste. De modo que , primeiro, abanei a perna com o "berloque" agarrado à perna das calças; o lapónio peludo sacudia-se, mas largar que era bom...nada! Descansei a perna esquerda e encetei o abananço da perna direita.Mas o "cão", qual homem-aranha, aguentou-se à bronca e ferrou ainda mais os dentecos.
Perdi a paciência. Tirei a luva que cobria a minha mão direita, inclinei-me e cravei as unhas na orelha tenrinha do assaltante da esquerda. Largou-me logo, o nojentinho. Fiz o mesmo ao meliante da direita, que também me largou.
Só que os ratos histéricos desataram a ganir, mas à séria! Pareciam mesmo cães!
E isso fez com que a dona, uma avantesma ( tinha de ser uma gorda pintadíssima! ) aparecesse no local do crime.
« Ai meus pequeninos» dizia a gorda ; e , virada para mim: « o que é que fez aos meus fifis
E eu enquanto tirava resquícios de pêlo das unhas: « Nada.Eu não lhes fiz nada; par contre eles atacaram-me!»
«Ai mas eles estão a queixar-se.Você fez-lhes mal de certeza. Sua mulher má!» Guinchou-me a balofa apalhaçada.
Muito cool, deixei-a a grunhir sozinha e comecei a afastar-me. Mas o camião-tir foi atrás de mim.
Pensei: Bom, se o mamute se agarra a mim, vou ter de lhe dar o mesmo tratamento.E comecei a preparar as minhas unhas. Mas não. A glutona apenas me lançou perdigotos por via dos berros de «mulher má; mulher cruel». Só que as pulgas felpudas, quiçá movidas pelo espírito de vingança e por se sentirem mais seguras com a presença do pote de banha , voltaram a abocanhar-me uma perna. E com empenho, aliás.
Caraças! Sacudi fortemente a perna e com toda a força que arranjei dei um pontapé num dos viscosos fifis...que não me admiraria se o tivessem ido resgatar ... aos Alpes!
A baleia desatou então a berrar e a pedir socorro, enquanto o outro caganito metia o rabo entre as patas e se escondia junto aos pilares robustos da matrona avantajada.
Então, expliquei-lhe (como se fosse preciso!) que apenas me defendi. E que não queria chatices. E como sou boa pessoa, até lhe dei um conselho: Que prenda as amostras de cão ou então que feche o portão. Por rimar e por ser verdade, claro.
A marafona afinou , insultou-me e jurou vingança.
Puxei uma cadeirinha e encontro-me -pacientemente- à espera.

[ A sorte dela, e das bolas de pêlo, foi eu só ter visto o "Kill Bill" depois ...]


Ana [12/03/2003 12:55:00 da tarde]