Crónicas Matinais

[ sexta-feira, janeiro 30, 2004 ]

 

E então eu pergunto-me: lanço achas? Quedo-me em silêncio? Faço de conta?
Lanço achas.
Eu gosto da blogosfera. Gosto de ler os blogs. Uma boa percentagem deles.
Às vezes enriqueço; outras pasmo...
Eu, como qualquer comum mortal , não gosto de ser contrariada. Não gosto, pronto. Afino e tal..., mas sei que é a vida. O que não suporto mesmo, mas nem morta!, é o indivíduo que , não gostando como eu (todos nós!) de ser contrariado, agarra e começa a debitar lições de moral. A apontar o dedito; a ditar regras, numa palavra: a fazer o papel de prodígio.
Sou pouco amiga dessas atitudes. E quando elas se me apresentam , por escrito, no meu ecrã ,começo a ajeitar-me no assento –despudoradamente-, quase psicótica!, quando dou com esse paleio de ideias gastas . Pronto, se a prosa sair da pena de algum bronco, algum ignaro , ainda estou como o outro.Quem não sabe é como quem não vê...
Mas se a prosa brota da pena de quem já provou não ser estúpido de pai e mãe, que apesar das libertinas crónicas já provou –noutras circunstâncias- não ser apenas um sacripantas apatetado, reajo de uma forma mais desabrida.
Cada macaco no seu galho, pá!
Já ando cá há muito tempo; muitos anos de praia e tal...para me impressionarem certos sacaninhas.
E se escrevo isto no masculino, é culpa da nossa língua, porque as sacaninhas também não me impressionam nada.
Não me interpretem mal: eu até aprecio o garbo belicoso, mas tem de ser bem feito! Mas ele não é para quem quer , mas para quem pode.
É um que afirma, com suposta propriedade, que quem não gosta de ver A, ouvir B e comer C é parvo; é outro que dita as regras de «como sofrer com classe e sensatez»; outro ainda que , sem saber do que fala-e até o confessa!- arrota postas de pescada; e não só arrota a pescada, mas também as batatas, os nabos, as cenouras e os grelos!
E quem diz outro diz outra. Haja paciência!
São pretensões absolutamente utópicas! Intrigalhada , atrás de intrigalhada; remoeres fastidiosos ; vinganças bacocas; facúndia desenfreada,enfim...
Eu sou pela liberdade. Cada qual diz o que quer , desde que se responsabilize. Agora, tudo o que é de mais é moléstia.
Eu, ao contrário do que escrevi aqui há dias, hoje não estou maravilhada; estou aparvalhada! A minha alma está parva.
Por isso que me desculpem os sensatos, e as sensatas, esta minha prosa assarapantada. Mas é que não há paciência.
Mas chega de arrazoado. Mais um bocado e ainda dizem que também eu estou aqui a pregar a moral.
E se, mais logo, mais a frio, eu perceber que é esse o sumo que sai desta minha entrada , deste meu post...penitenciar-me-ei , inscrevendo-me nessa agremiação famosa: Os lorpas também têm blogs.
Entrementes, e enquanto consigo resistir a terminar este texto com uma expressão à la "baronesa" ( ver " Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina", de Mário de Carvalho [ não me fodam!] ), deixo-vos um poema:

A história da Moral

Você tem-me cavalgado,
seu safado!
Você tem-me cavalgado ,
Mas nem por isso me pôs
a pensar como você.

Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá-lo.

Alexande O'Neill

Ana [1/30/2004 11:53:00 da manhã]