Crónicas Matinais

[ quarta-feira, março 03, 2004 ]

 

Vamos lá então, querida Charlotte :A pena de morte

Não pretendo convencer ninguém. Nem sequer justificar-me. Digo apenas que –para dois tipos de crime - defendo sem qualquer problema de ordem moral a aplicação da pena capital. Da pena de morte.
Defendo , sem problema algum , a pena de morte para casos de pedofilia e de infanticídio[ a talhe de foice, deixem-me dizer, para que não haja confusão, que a vida, para mim, começa quando se nasce.] .
Fosse eu a mandar, e esse Dutroux e a ex-companheira, por exemplo, e depois de cantarem tudo o que sabem, eram mandados desta para melhor. Trigo limpo farinha Amparo. Ou aquele casalinho português ( não me lembro agora dos pormenores porque , para conseguir dormir, esqueço os pormenores, mas nunca as vítimas! ) que matou à pancada aquela criança de dois anos. E todos os casos semelhantes teriam igual justiça.

Esta é uma das poucas questões onde não deixo que a minha emoção , o meu amor ao próximo, seja ele qual for, –intrínseco em mim - se sobreponha.
A minha razão comanda. E se julgam que a minha relação com D-us é incompatível com tudo isto, enganam-se.
Ele dotou-me de livre arbítrio.
O bem e o mal não são conceitos estritamente divinos; muito pelo contrário. No nosso mundo, no mundo em que vivemos, só os homens podem fazer o que entendemos por bem e o que entendemos por mal.
De modo que , em se tratando de homens, é aos homens que compete, aqui, na terra, julgar os nossos actos.
Depois, no patamar maior, D-us fará a sua justiça. Mas, cá em baixo, é a nós que nos compete.

É uma questão de escolha, de colocar os factos na balança : é justo matar um homem? Não.
Mas o que é a justiça? É deixar esse homem violar, espancar e matar uma criança e depois deixá-lo estar numa divisão, com pequeno-almoço, almoço ,lanche e jantar? Com uma caminha? Com muitas pessoas, todas muito boazinhas, a pedir clemência por ele? E os estados a sustentá-los?
Para mim isso não é justiça. Para mim isso é criminoso.

Eu não acredito na redenção de violadores e de infanticidas.
Não aceito as boas intenções de quem vem explicar que , coitadinhos, esses criminosos tiveram uma infância difícil; foram abusados , etc.
Para mim é muito claro: quero que esses criminosos se fodam; que ardam no inferno e quanto mais depressa melhor. E como defendo sempre a legalidade, defendo que a pena de morte, para esses dois casos, seja incluída nos códigos, claro.

Se isto que defendo é condenável então logo acertarei contas com D-us. Mas é assim que penso e não pretendo mudar de ideias.

Ana [3/03/2004 11:23:00 da manhã]