Crónicas Matinais

[ segunda-feira, março 01, 2004 ]

 

Vamos a uma pequenina lição de história ou Lá vou eu perder a paciência outra vez


Andam para aí umas luminárias a redescobrir a pólvora. Mas a molhada. E o que é essa substância explosiva composta de salitre, carvão e enxofre? Os Semitas. Finalmente perceberam o que quer dizer semita e, sendo brinquedo novo, é fartar vilanagem!
Eu da vida dos outros não sei, mas da minha posso falar. E na minha vida o conhecimento sempre foi importante. Desde abrir rádios a pilhas para ver como é que aquilo funcionava por dentro, até arranjar "quem" me explicasse o que queriam dizer as palavras que eu não entendia. E descobri os dicionários.
Quero com isto dizer que, quem seja dotado de alguma curiosidade - a inteligência é facultativa- sabe -desde os verdes anos- o que Semita quer dizer. Basta abrir um dicionário e está lá está tudo escarrapachado: «de Sem, n. pr., filho de Noé ;s. 2 gén., pessoa descendente de uma raça que se diz oriunda de Sem; s. m., (no pl. ) família etnográfica e linguística que compreende vários povos, em particular os Hebreus e os Árabes.

Eu, que tenho a mania, ainda acrescento, para ajudar mais: os Assírios; os Aramaicos; os Fenícios ; os Babilónicos... ( eu sei, é redundante, mas gosto assim de tudo explicadinho...)

De maneira que todos os originários da península arábica , de Sem, são semitas. Todos.
Mais acrescento que: as três religiões monoteístas - Judaísmo,Cristianismo, Islamismo - Têm base e origem semita.Eram um círculo cultural diferente, com língua diferente e possuiam regras muito próprias. Podia levar a historinha mais longe, mas não tenho nem tempo, nem paciência. Atalho já para o principal: o termo semita , ou melhor, anti-semita , é utilizado -no sentido restrito- em relação aos judeus. Toda a gente sabe isso. Ou se não sabe devia saber; ou se não sabe , se não entende o que a vox populi quer significar-pelo uso comum, tudo pelo uso considerado senso comum- então que se cale. Que meta a viola no saco. Mas não.

Voltando ao dicionário. Pega-se num , um qualquer, e na palavra anti-semita pode ler-se, por exemplo isto: « adj. e s. 2 gén., pessoa inimiga dos semitas, especialmente dos judeus.».
Lá está.
Até as pedras das calçadas sabem que, neste século e no outro, e no outro ainda, quando alguém fala em anti-semitismo está a falar particularmente de judeus. É senso comum.

Vir agora, em tom de canção do bandido, perguntar a quem se insurge contra o anti-semitismo, contra esse cancro para o qual parece não haver remédio, se sabemos que os árabes também são semitas...dá-me cabo dos nervos!
Se há coisa que não gosto nada é que tentem ensinar a missa ao padre ; e menos ainda que façam a malta passar por estúpida....

A má fé , estou em crer, é a maleita do mundo. Especialmente vinda de quem afirma não ter fé nenhuma.

Apre!

Ana [3/01/2004 02:36:00 da tarde]