Crónicas Matinais

[ quinta-feira, maio 27, 2004 ]

 

Ainda o Futebol

Mesmo muitos amantes da bola criticam os "excessos" que o futebol provoca.
Levantam o dedinho e apontam-no aos deputados e aos políticos que querem ir à bola; criticam o espaço que as televisões, as rádios e os jornais lhe dedicam; criticam os festejos na rua. Alguns - quiçá para se desmarcarem do seu próprio sentimento que pode ser considerado pelos "analistas" como simplório - dizem que é tudo muito bacoco, muito zé-povinho; que um país não se faz só da bola; que é um exagero e o diabo a quatro.
Em Portugal, já se sabe, o futebol ordena. Não é preciso ser reaça para saber que esta tradição futebolística vem do tempo dos três F.
Mas solidificou-se e o povo- e aqui entenda-se por povo todos os portugueses, i.e., pobres, ricos e remediados - quer se seja assim. E se queremos que seja assim, é assim e pronto!
Renegar é que está mal. Pois se a alegria é nossa, se é a nós que a alegria é ofertada, se somos nós que a sentimos, porque é que havemos de dar ouvidos aos Velhos do Restelo que, picuinhas, fazem análises todas muito limpinhas e moralistas, mas que não valem um pataco?
Eu, por mim, deixo-os falar. Vozes de burro não chegam ao céu.
Não gostam da bola? não vejam ! Emigrem! Vão para a Sibéria, carago! Vão escrever livros anti-futebol para o Burkina Faso ( ai, o Burkina não!, lá também há muito futebol.) , ou para o Butão! É isso, o Butão é porreiro porque há pouco espaço e deve haver pouca bola ( não! esperem lá...o Butão é também conhecido por Reino do Dragão! ), olhem...vão para Marte, pronto.
Estou aqui a Reinar, mas escrevo estas larachas pelo seguinte: ao contrário do que possam pensar , não é só em Portugal que a febre da bola ataca. Ontem- e os meus colegas franceses garantem que foi uma estreia- o canal de televisão mais visto em França, a TF1, fez o jornal das 20h em directo de Gelsenkirchen e, obviamente, abriu o jornal com o jogo; e para a escola francesa de jornalismo, abrir com desporto é mesmo uma inovação,um sinal dos tempos. Mais: alguns apresentadores da estação , como a simpática senhora que apresenta a meteorologia, apresentaram os seus "programas" com cachecóis do Mónaco. Durante toda a semana só se falou do jogo. Desde a qualificação do Mónaco para a final, o sentimento de euforia foi geral. A comunicação Social não falava de outra coisa. As manifestações de apoio correram a França de lés a lés e, recorde-se, o Mónaco é um principado "independente". Por isso insisto: a alegria não tem mal nenhum, nem é zé-povinho, nem provinciana e pacóvia. É esperança.
Pode ser-se "intelectual", seja lá isso o que for, e gostar do que todos gostam: de vibrar e de ser feliz.
Chaga-me a molécula tanta critica à forma como as pessoas vivem as suas alegrias é só!
Ai o caneco!
( Ai!...caneco= Taça...Taça= Liga dos Campeões...Campeões=F.C.Porto...FCP=Viva! )

Pronto já chega. I rest my case.

Ana [5/27/2004 10:35:00 da manhã]