Crónicas Matinais

[ quinta-feira, setembro 02, 2004 ]

 

I hope the russians love their children too

Deixem-me dizer que não tenho a mínima preocupação pela vida de terroristas.
Não acredito que quem se dedica a tais actividades perceba o que significa ser humano e, como tal, e sendo tão caro mantê-los em prisões, defendo que a solução ideal é dar-lhes logo um tiro nos cornos e pronto.
Desculpem lá a frontalidade, mas a hipocrisia não é o meu forte.
Há cerca de dois anos, quando um grupo de terroristas tomou um teatro de assalto , em Moscoco, e fez cerca de 800 reféns, eu, depois de terminada a história num banho de sangue, apontei o dedo aos monstros terroristas , mas também à Rússia.
Na altura isso causou-me alguns dissabores que agora não interessam.
Fi-lo porque tenho a perfeita conciência que, na altura, nem o governo russo, nem os terroristas, estava preocupado com a vida dos reféns. Aqueles pobres homens, mulheres e crianças estavam entregues à sua sorte.
A nível institucional, a nível de Estado, ou seja, político, é obvio que não se pode ceder às exigências dos terroristas. Era o que mais faltava. [ temos os vergonhosos casos das Filipinas e da Espanha ]
Mas , e aqui sim, tem de haver um mas, quando há reféns, e mesmo tendo em mente não ceder nunca, só depois de esgotadas todas as possibilidades é que se pode utilizar a artilharia pesada. Porque se não, os reféns não morrem apenas devido à doença, mas também à "cura".
Há cerca de dois anos, Putin, que é tudo menos um menino de coro, mandou avançar a tropa e foi o que se viu.
Ontem, hoje, isso já não aconteceu. Estou convencida que , desta vez, aquelas mães e pais angustiados, estão, pelo menos para já, a fazer Putin perceber que tem de tentar, obrigatoriamente, negociar. Obviamente que negociar não significa ceder às exigências, significa ganhar tempo ; um tempo que pode permitir encontrar uma solução que não a tragédia generalizada. E poupar vidas entre os reféns.
Depois, e tendo os reféns o mais seguros possível , é abrir fogo e mandar esses terroristas , todos, para o quinto dos infernos que é o lugar ideal para eles.
Bem sei que não é fácil e que é inevitável , provavelmente, que morram reféns. Aliás, pelos menos 12, já morreram.
Sabemos que não vivemos no melhor dos mundos, que a utopia não existe . Mas , apesar de tudo, acho sempre que pode haver uma solução, não a melhor, mas, pelo menos, menos má.Putin, desta vez, percebeu que a força só pode ser usada como último recurso e não como recurso primeiro.
Não pelos rebeldes terroristas, mas pelos reféns. Porque poupar os reféns, neste e noutros casos, tem de ser o mais importante. Mais importante do que esmagar vermes que, seguramente, poderão ser esmagados depois dos reféns a salvo.
Resta então aguardar por novos desenvolvimentos e, pela parte que me toca, rezar por aquelas crianças.

Ana [9/02/2004 12:40:00 da tarde]