Crónicas Matinais

[ terça-feira, outubro 12, 2004 ]

 

Camarada: Junta a tua à nossa voz!

Venho, por este meio, denunciar também a censura, o atentado à minha liberdade de expressão, que o actual PM fez à minha pessoa.
Camaradas palhaços, este "amigo" diz a verdade.
[ E tu, Pôncio, se fosses sério vinhas também a terreiro ajudar a gente a denunciar o ditador...]
É um assunto doloroso, que é, mas a verdade, tal como o azeite, acaba sempre por vir «ao de cima».
Santana Lopes também já me tentou silenciar. É duro, mas é a realidade.
Não posso calar mais a minha raiva, a verdade tem de ser dita, doa a quem doer.
Mainada.
Lembro-me como se fosse hoje: estava de chuva e eu estreava uma gabardina nova que tinha comprado nos saldos da Burberrys no ano anterior.
Bom : Como pessoa simples e modesta que sou, dirigi-me à Pastelaria Suiça para o mata-bicho do costume: um chá Earl Gray , um crescente ( odeio estrangeirismos, pá) com queijo e um bolo de arroz. Tenho sorte,apesar de pobre e vítima da censura generalizada que se vive no nosso pobre país , sou genteticamente rica: posso enfardar que nem uma debulhadora sem efeitos secundários.
De maneira que chego à Suiça esganada de fome e quando me dirigo para a minha mesa habitual vejo que está ocupada! Lá alapado, muito refastelado e penteadinho, está o futuro ex-Primeiro Ministro Pedro Santana Lopes!
Ai filhos! Fiquei desvairada! O pilantreco Tinha-me roubado o lugar! Como não sou de levar desaforos para casa, tratei de chamar o sr.José, o empregado que me costuma atender.
Expliquei-lhe que era i.n.a.d.m.i.s.s.í.v.e.l. que um ordinarote qualquer me roubasse o lugar, que tinha fome, que estava atrasada para a minha actividade laboral matinal ( tinha um encontro importantíssimo no cabeleireiro ! ). Pronto, fiz um bocadito de cagaçal , mesmo no nariz do futuro ex-Primeiro Ministro , mas isso não lhe dava o direito de se levantar e de se queixar! Vivemos ou não num país livre? Pelos vistos não! Porque o tiranote dirigiu-se ao sr.José, como se eu não estivesse presente, e pediu-lhe para ele me levar dali para fora que o estava a importunar.
Olha-me o fidalgote de pernas curtas! Eu, moi, je, a importuná-lo! Como se não tivesse sido ele a espoliar-me do meu lugar e a perturbar a minha liberdade de escolha e de expressão!
Disse-lho. E não com palavras meigas.
Foi então que se deu o acto censório; que o meu direito de me exprimir livremente me foi negado : fez pressão sobre o gerente do estabelecimento que -selvaticamente- me botou para fora dizendo que não tivesse pressa em voltar! E enquanto os empregados me arrastavam , me tapavam a boca tentando silenciar-me -os pides!- Santana Lopes dizia: « Cala-te ó doida!»
Compreendeis agora como me senti ao ler o relato sofrido do camarada Dias Ferreira não é? Sofrimento acrescentado ao que já trazia no lombo por via do professor Marcelo--un santo!,não desfazendo-- vítima também ele do terrível monstro que é a rolha telecomandada por Santana Lopes.
Lamento mas tinha de o acusar. JÁ CHEGA DE CENSURA!

Como já não tenho saldo no telemóvel, aproveito este meio de comunicação --para já ainda livre de censuras pidescas cor-de-laranja-- para apelar à vossa consciência e para vos pedir que saiam à rua; que denunciem; que contem os vossos casos pessoais!
Hoje somos poucos, mas amanhã seremos muitos!
Vamos, todos juntos, promover uma ultra-hiper-mega-manifestação defronte a S.Bento contra a lei da rolha!
Trazei a família, as crianças, os primos, as tias e tios, as avós , os animais domésticos e os selvagens, as pás de forno, os garrafões de cinco litros, as foices , os martelos e os ancinhos! Trazei tudo!
Portugal tem de sair do obscurantismo! Gritai comigo: « Santana, pendura, abaixo a censura!» ; « Santana és uma solha, acaba com a lei da rolha!»; « Marcelo , amigo, a gente está contigo!»; « Isto aqui não é a Madeira, viva o Dias Ferreira! »; « Santana és sinistro, abaixo o primeiro-ministro!»; etc.
Traje de passeio.

Muito obrigada!

Ana [10/12/2004 10:39:00 da manhã]