Crónicas Matinais

[ sexta-feira, novembro 12, 2004 ]

 

«Ficaríamos aterrados se tomássemos conhecimento da baixeza da maior parte daqueles que nos governam.» Talleyranda

Apertei a mão a Yasser Arafat duas vezes. Não tenho particular orgulho de o ter feito, mas a verdade é que o fiz.
Fui diplomata. A diplomacia é, grosso modo, apertar a mão a quem gostaríamos de apertar o pescoço.

Tinha escrito um texto longo, provavelmente chato, mas sincero, até sofrido, sobre Arafat.
Quando o terminei fiquei triste. Comigo.Porque eu sei que não se deve bater em quem já está no chão, mas , às vezes, é-me impossível não o fazer. Apaguei o texto e fiquei à espera que pessoas mais sensatas o fizessem por mim.
Como sempre, nem o Francisco José Viegas, nem o Nuno Guerreiro me desiludiram.
Dizem o que tem de ser dito,sem aquela pontinha de ódio que eu, infelizmente, não consigo, por mais que tente, erradicar em mim.

O que posso acrescentar é que acredito que as coisas podem agora mudar. Não será amanhã, mas acredito sinceramente que vão mudar. Para melhor. Muito melhor.




Ana [11/12/2004 10:02:00 da manhã]