Crónicas Matinais

[ quinta-feira, novembro 25, 2004 ]

 

Há bocadito, estava a roer uma côdea de pão e a beber uma pinga de água, alapada na cafetaria cá da casa, quando veio ter comigo um colega português. Um simpatizante do Bloco de Esquerda.
Afianço ,à cabeça ,a simpatia partidária do cidadão, porque, com ele, nunca falei de mais nada a não ser sobre isso.
Digamos que o cidadão, qual Elder , decidiu dedicar todo o tempo do mundo a pregar a doutrina que, acha ele, é a «melhor».
Mas eu hoje estou particularmente bem disposta: o FCP ganhou e tudo e tudo, de maneira que lhe dei alguma conversa, quanto mais não fosse para me divertir.
É que sempre me rio um niquito.Sou muita amiga de rir e não me canso de o repetir.
Ele deu à lingua,esmerou-se na escolha das palavras --esforço que lhe reconheço, agradecida -- e acabou, como acaba sempre, por me perguntar por que é que eu, o mais das vezes, nem sequer o quero ouvir. Seja qual for o assunto.
Ora, como estava (estou) bem disposta , não me apeteceu estragar-lhe a tarde explicando-lhe as realidades e evidências da vida e do mundo, de modo que me limitei a contar-lhe, em jeito de explicação, esta deliciosa --e tão acertada--anedota política ( que adaptei para o BE ) :

O Bloco de Esquerda organizou , numa pequena aldeia do interior, uma palestra sobre o tema: « O Povo e o Partido Unidos».
Não apareceu ninguém.
Uma semana mais tarde, foi anunciada uma nova conferência cujo tema era : « Os Três Tipos de Amor».
A sala encheu-se de gente. Lotação esgotada!
Quando chegou a hora , o orador principal levanta-se e começa: « Existem três tipos de amor: o primeiro tipo é o amor patológico. O amor patológico é mau e por isso não vale a pena falar dele. O segundo tipo é o amor normal. Ora, todos conhecemos o amor normal!, portanto também não vou alongar-me sobre o assunto porque isso seria uma perda de tempo.
Resta então o terceiro tipo de amor. O mais elevado tipo de amor : o amor do povo pelo partido e pela ideologia do partido!
E é sobre isso que vou discorrer mais detalhadamente...»


Espero que tenha percebido a "anedota".

Adenda: Peço desculpa por ter , inadvertidamente, ofendido os Hélderes do meu país; e do mundo. É que, tal como me chamaram a atenção este Helder e um outro que preferiu o anonimato, os Élderes a que me refiro não levam H. Levam fatos escuros, camisas brancas e gravatas às riscas. Mas H não! :)

Ana [11/25/2004 02:59:00 da tarde]