Crónicas Matinais

[ sexta-feira, junho 03, 2005 ]

 

Admitam e não se fala mais nisso!

Ontem ouvi Max Gallo num programa de televisão e, no momento , tive vontade de lhe arrancar os olhos. Ou a língua. Metaforicamente, claro.
Mas estava errada.
O argumento maior de Max Gallo para dizer Não ao Tratado constitucional é certo. É , aliás, o único argumento que está certo.
Todos os outros são irrelevantes.
Estou a ser arrogante? Olhem , paciência!
Façam de conta que sou francesa, pá!

E o argumento maior de Max Gallo é este: é irrealista transformar vinte e cinco(27) nações soberanas, com tantas diferenças e especificidades , numa única "federação".
A história já o provou e continua a prová-lo. Gallo defende que a única solução que pode dar resultados é fazer alianças entre alguns países , duas ou três nações juntas , até quinze . Mais é impossível; é utópico .
Tem razão!
Basta ver o que se passou em França e na Holanda para perceber , se formos realistas , que não há possibilidade alguma de um dia nos entendermos todos.
Finalmente descobrimos de que massa são realmente feitos os europeus.E a descoberta fez-se graças a um enorme erro. Lá está o povo a ter razão, quando diz que há males que vêm por bem.
Mesmo tratando-se de um Tratado constitucional e não de uma Constituição pura e dura, o maior erro de quem sonha uma Europa unida , foi ter começado com a ideia peregrina dos referendos populares.
Calma, não comecem já com comichões , a dizer que eu sou uma ditadora e o diabo a quatro , que se puserem o cérebro a trabalhar vão perceber que tem toda a lógica.
A nossa Constituição foi votada? E a Francesa? E a Alemã?
Claro que não. Nós - povo - votamos nos políticos, elegemo-los; depois de eleitos a função dos políticos é essa: fazer, analisar, aprovar ou reprovar. É esse o sistema democrático que faz o mundo evoluir; andar para a frente.
Pontualmente pode consultar-se o povo, claro.
Mas a espinha dorsal não pode ,nem deve , ser referendada. Leis pontuais sim; uma Constituição, jamais!
Querem perceber o que estou a dizer , percebam, não querem perceber e preferem apontar-me o dedo e chamar-me porca fascista, estejam à vontade que é para o lado que durmo melhor.

Bom, voltando à vaca fria: Entendimento , a partir de agora, é impensável. Abriram-se feridas e descobriu-se - porque só agora se consultou o povo e se deu oportunidade ao povo de se pronunciar sobre a União Europeia que , até há alguns meses , era totalmente desconhecida da maioria dos povos europeus - que, no fundo, ideias bonitas como solidariedade, igualdade e fraternidade não são válidas extramuros. Já intramuros sabe D-us!, quanto mais a vinte e cinco!
Um francês quer que os outros todos se fodam bem fodidos; um inglês idem , um dinamarquês idem aspas e um belga idem aspas aspas. Por exemplo.

Assim sendo, tomada que está a consciência de que o ponto comum entre todos é , apenas e só, a situação geográfica , mais vale irmos todos de férias -de preferência para outro continente - e deixar-mo-nos de palermices de uniões "políticas".
Só a economia continuará a ligar as nações europeias. O Resto são sonhos de noites de Verão. Muito calor = actividade cerebral reduzida.

Eu, que desde sempre dediquei os meus mais estimados ódios a vários pedaços da Europa , deixei-me seduzir pela ideia de uma Europa unida , forte e solidária, porque sou muito nova .
E , já se sabe, os novos não pensam.
Admito que errei. Tanto critico as ideias utópicas e acabei por cair no mesmo erro.
Mas graças à chapadona de realidade que levei, abri os olhos.

E,quando tiver de os fechar - daqui a muitos anos, espero! - que tenha apenas , à minha volta, espanhóis e ingleses. Juntos, como historicamente sempre estivemos, e nada de roedores de queijo ou fumadores de marijuana ! Mainada !

Para mim, a campanha pelo Sim acabou.
Disse.


P.S. Nada do que digo em cima modifica a raiva ,genuína, que me anda a roer por dentro ,sempre que ouço ou leio argumentos como : «Todos os argumentos são bons para votar Não ».
Posso mudar de ideias e dar o braço a torcer ,várias vezes por dia, se for preciso.
Mas em questões de princípio ,de moral se quiserem ,não cedo um milímetro.
No dia em que - depois de ouvir , por exemplo, os argumentos nazistas de Le Pen ou os da equipa camarária de Amesterdão cujo porta ?voz, ainda na segunda-feira, afirmava na televisão que os árabes muçulmanos deveriam ser expulsos dos bairros da cidade e que só se deveria dar dinheiro aos estrangeiros que provassem merecê-lo - eu deixar de gritar , bem alto, que quem diz coisas semelhantes merece punição exemplar... eliminem-me! Porque se esse dia chegar...não mereço melhor sorte.
E ponto final.

Ana [6/03/2005 12:48:00 da tarde]